Os Mistérios da Mente e a Obesidade

SÉRIE:

OS MISTÉRIOS DA MENTE E A OBESIDADE – características comportamentais

Por Fernanda Abreu

Psicóloga CRP 04/36407

Hipnoterapeuta Ericksoniana

A obesidade, um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, é uma doença crônica, caracterizada, principalmente, pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. Estima-se que, no Brasil, existam mais de 20 milhões de indivíduos obesos.

Os impactos da obesidade merecem profundas análises. É comum lermos sobre o quanto a gordura acumulada no organismo aumenta o risco de doenças cardíacas, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, diabetes, apneia do sono e até o surgimento de alguns tipos de cânceres. Os prejuízos psicológicos – uma vez que a pessoa obesa tem mais tendência a desenvolver depressão e ansiedade – e os relacionais, em um quadro de dificuldade real de lidar com o outro, inclusive em situações de trabalho, são menos mencionados, embora não sejam menos importantes já que afetam a qualidade de vida de forma direta.

Ainda no que se refere às abordagens mais encontradas sobre o tema “distúrbios alimentares”, em especial sobre a obesidade, torna-se imprescindível compreender que eles ocupam espaço tanto na esfera de serem causa de outras doenças quanto consequência de questões adoecedoras que não foram tratadas ou foram mal elaboradas. Trazendo essas informações para a prática e a busca pelo controle e cura, a Terapia Cognitivo Comportamental, TCC, que tem como foco compreender a forma como interpretamos e somos afetados por determinados fatos, é um caminho bastante seguro e eficaz.

Pesquisas indicam a existência de um perfil de personalidade mais vulnerável à impulsividade e à obesidade. Para esse grupo, o acúmulo de gordura pode ser fruto de um inconsciente que se sente necessitado de proteger as emoções, em um casulo, de ataques externos. Vejamos algumas características dessas pessoas, pensando nessa lista sendo vivenciada de forma exacerbada, desequilibrada, e lembremo-nos de que o nosso alvo não é a nutrição:

  • Precisam rever, com auxílio de ajuda especializada, a estruturação da personalidade e o desenvolvimento dos vínculos afetivos ocorrido entre 0 e 2 anos;
  • Têm, no inconsciente, sementes da rejeição e do abandono;
  • Têm as emoções infantilizadas, não amadurecidas, buscando incessantemente a aceitação e o reconhecimento do outro;
  • Querem ficar junto, dando ou recebendo colo;
  • Têm pouca energia física e, quando apresentam, perdem-na com facilidade;
  • Têm muita sensibilidade, são sinestésicos e se deixam afetar visceralmente por situações das mais variadas ordens;
  • São mais carentes e tendem ao envolvimento romantizado com outras pessoas, criando expectativas de forma unilateral. Diante da frustração dos desfechos diferentes daqueles idealizados, buscam compensação rápida, acolhimento e prazer na comida.
  • Não são objetivos e tendem a não ser focados;
  • Costumam levar todas as questões para o lado pessoal;
  • Potencializam o que sentem e muitas vezes não conseguem verbalizar, o que gera um sentimento permanente de incompreensão;
  • Buscam terceirizar o emagrecimento, o motivo ou para quem emagrecer. Querem ficar belos para o outro sem jamais se colocarem como prioridade e sem perceberem a necessidade de uma vida física e emocionalmente mais saudável. Mais uma vez há o inevitável encontro com a frustração, com o desejo de compensação e o fortalecimento de um comportamento cíclico, de repetição de padrão de autossabotagem. Sai o autor de uma dor, entra o futuro autor da próxima;
  • Nelas, o inconsciente se faz valer dos riscos do sobrepeso e da obesidade para criar movimentos de atenção e cuidado na sua direção. Clara manifestação de dependência emocional;
  • Não sabem dizer “não” por medo de serem rejeitados;
  • Associam a comida à celebração e ao remédio para as dores da alma;
  • São mais vulneráveis aos gatilhos mentais capazes de despertar comportamentos compulsivos.

Notem que, identificar esses comportamentos, aceitá-los e buscar ajuda para romper com os ciclos de autossabotagem, é possível, desejável e alcançável para qualquer pessoa que assim desejar. Continue acompanhando essa série, afaste-se de propostas milagrosas e fortaleça o autoamor para além das frases de efeito nas redes sociais. Conte comigo!

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