Quando o Defeito do Outro Diz Muito Sobre Mim

QUANDO O DEFEITO DO OUTRO DIZ MUITO SOBRE MIM

Por Fernanda Abreu

Psicóloga CRP 04/36407

Hipnoterapeuta Ericksoniana

A reflexão de hoje não é nada fácil de ser feita, mas, é importante que analisemos as nossas condutas da atualidade. A internet nos deu voz! O que sob vários aspectos é muito interessante. Fez com que conseguíssemos acessar o direito de produzir conteúdo, de declarar publicamente as nossas opiniões, de escrever sobre o que julgamos importante. Opa, veio aí uma palavra fundamental para o contraponto do lado bom que foi apresentado. O julgamento tem se mostrado uma característica muito forte da nossa condição moral. Talvez estejamos perdendo a mão. Estamos nos colocando como metralhadoras de análises e de condenações. Estamos nos apresentando como réguas do mundo. O jeito certo de agir é aquele como imaginamos que faríamos se estivéssemos na mesma condição do criticado; a nossa roupa é a mais adequada; a nossa apresentação física a mais saudável; a nossa sexualidade e a nossa religião são as que toleramos… Tudo o que é diferente de mim, do “eu” que eu mostro, incomoda, viola o meu espaço e me dá a falsa sensação de que tenho mais que o direito de apontar, mas, o dever de dizer o que está errado.

Muitas vezes, não cuidamos de prestar atenção ao que estamos falando, quais são as acusações que estamos dirigindo ao outro. Não pensamos sobre as tristezas ou outras consequências que podemos causar; também não refletimos sobre os motivos que nos deixam tão vulneráveis e irritados com determinados assuntos. O que torna toda essa linha de raciocínio ainda mais curiosa é que o defeito do outro, aquilo que me perturba tanto emocionalmente pode estar dizendo algo sobre mim. Sim, os nossos olhos só são capazes de decodificar aquilo que eles conhecem. Vou explicar melhor: quando olhamos para um barco e sabemos que se trata de uma embarcação pequena, fazemos isso porque há informação armazenada no nosso cérebro, porque já fomos apresentados a esse conceito, em algum momento.

Prometo que vai fazer sentido! Quando detecto alguém tão condenável por mim, por ser quem é, por agir como age, eu posso estar vendo os meus próprios defeitos ou projetando os meus desejos (dos quais não me orgulho ou me disseram que não devo me orgulhar) naquela pessoa. Quando falo muito mal de um conhecido ou mesmo de um artista famoso, pode ser que eu esteja buscando conforto na sensação de que estou me afastando daquela característica que também é minha, reprimindo o meu condenável desejo de vivê-la. Tenho a sensação de que estou me protegendo. Resultado: muita sombra precisando ser iluminada. Muitos sentimentos e emoções desconhecidos e represados capazes de nos ferir e de nos tornar máquinas de ferir os outros.

O nosso comportamento é a vazão da nossa essência. É preciso investigar a raiz do que tem provocado a nossa ira, a nossa violência, medo, ansiedade, tristeza ou insatisfação. Se não nos dedicarmos a compreender o que tem inspirado a maneira como nos portamos no mundo, dificilmente conseguiremos promover mudanças e evoluções significativas em quem somos e na maneira como poderemos impactar positivamente no nosso entorno. Às vezes, não é sobre o outro, é sobre nós mesmos.

Se não se sentir confortável para se fazer determinadas perguntas, para refletir sobre o seu comportamento e os seus sentimentos e emoções, conte com ajuda profissional. Terapias podem ser transformadas por serem competentes condutoras de autoconhecimento.

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