Dia 12 de outubro sempre mexe com a gente de alguma forma: seja para inspirar que vasculhemos os álbuns guardados e nos lembremos de como eram as nossas carinhas na infância; seja para buscarmos formas de homenagear nossos filhos, sobrinhos e afilhados…
O fato é que o dia das crianças o é para todas elas, inclusive para a nossa criança interior (termo que tem se popularizado nos discursos nascidos de temáticas próprias da Psicologia ou de outras vertentes científicas ou não que se preocupem com o ser integral que somos e com as nossas vivências).
A criança interior é a parte infantil do indivíduo; é uma espécie de subpersonalidade, subordinada à mente desperta. Nesta área armazenamos na infância e acessamos, mesmo que sem consciência plena disso, a nossa criatividade, capacidade de brincar, emoções reprimidas, necessidades que não conseguimos suprir. Essa criança sopra nos nossos ouvidos ventos de alegria, de leveza, humor, de curiosidade. Ela nos capacita a vaguear olhando para um jardim; a ver desenhos em nuvens; e nos aconselha a trocar refeições por doces. Mas ela também tem cicatrizes e tem feridas abertas. Ela tem lágrimas que foram impedidas de vir à tona por ameaças e violências, por deboches e “brincadeiras” estigmatizantes, doloridas. Ela já se sentiu violada, abandonada.
Essas emoções estão em nós e exercem influência sobre como respondemos às experiências de amor e desamor que enfrentamos na vida adulta. E como é possível tornar a mistura do nosso “eu” criança com nosso “eu” adulto um processo de cura e de crescimento?
- Acolhendo a nossa infância;
- Buscando a compreensão do que vivemos;
- Ressignificando episódios traumáticos;
- Honrando a nossa ancestralidade.
Aquele menino ou menina que se entendeu traído (a) quando confiou em alguma promessa não precisa viver a história adulta desacreditado (a) da boa-fé das pessoas; a energia gerada pelo sofrimento de uma violência física, emocional ou sexual pode ficar no passado, cicatrizada como um episódio superado, vencido.
Precisamos encontrar meios de levar ao nosso interior, a mensagem de que “deu tudo certo”. De que não é mais necessário se esconder de um agressor; temer a hora de apresentar um boletim da escola; passar fome ou frio; ficar apavorado com as brigas dentro de casa ou com a possibilidade de ser esquecido em algum lugar.
Precisamos encontrar meios de abraçar essa criança com muito amor e gratidão e dizer a ela que parte das suas dores não foram geradas de propósito pelos pais, eles estavam dando o melhor deles, estavam se esforçando para acertar. Mas pais não são perfeitos, erram o tempo todo.
Precisamos que a nossa criança interior se perdoe, perdoe os seus, sinta-se pronta para seguir adiante, para avançar.
Ainda dá tempo, sempre há tempo para trabalhar melhor os sentimentos que desenvolvemos ao longo da vida e de mudarmos a nossa forma de ver o mundo, de ver os fatos que enfrentamos e que enfrentaremos. O que não podemos, sob nenhuma hipótese, é desconsiderar quem somos na nossa totalidade, negando as nossas sombras, nos envergonhando por não sermos só luzes.
Neste mês das crianças, inclusive da sua criança interior, converse com ela, a cumprimente pela data e agradeça por tudo o que ela fez e faz por você. Juntos, acredite, vocês são enormes, extremamente potentes.
Uma das formas de cuidar das dores da sua criança interior é com regressão! Uma viagem no seu tempo e na sua historia capaz de colocar emoções e sentimentos no lugar, trazendo assim a quietude da alma!



