Hipocondria

Existe um transtorno psicológico identificado pela CID-10 – Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento – com o código F45.2:Transtorno Hipocondríaco, que está dentro dos Transtornos Somatoformes (F45).

Em uma linguagem bem popular, o hipocondríaco é aquele que tem obsessão pela ideia de ter um ou vários problemas de saúde graves e que necessitam de excesso de medicação.

A hipocondria é desencadeada, na maioria das vezes, na fase adulta, mas também há casos em crianças e adolescentes, muito pouco registrados.

Dentro das características desse transtorno, um aspecto muito comum é uma preocupação com a possibilidade de ter um ou mais transtornos físicos sérios e progressivos. O paciente manifesta queixas somáticas persistentes ou preocupações com sua aparência física. Sensações e aparências normais ou banais são, muitas vezes, interpretadas pelo hipocondríaco como anormais e angustiantes.

Depressão e ansiedade marcantes, em grande parte dos pacientes, estão presentes e podem justificar o diagnóstico e intensificar essa preocupação que vem, muitas vezes, com a certeza de sentir os sintomas de alguma doença grave.

Normalmente, esse perfil de paciente, primeiramente, procura tratamentos médicos e, após a certeza de não haver nada físico, nenhum exame alterado, ou seja, não há o diagnóstico de alguma doença grave que a pessoa acredita ter, ela é encaminhada aos tratamentos psicológicos e psiquiátricos, que não são bem aceitos.

É bem característico que esse perfil de paciente domine ou manipule a família e as relações sociais com os seus sintomas. Isso acontece no âmbito inconsciente: o paciente realmente tem todos os sintomas físicos que possam caracterizar a doença grave que a mente dele escolheu.

Os tratamentos psicológicos e psiquiátricos são a forma mais adequada de cuidados orientados para esse diagnóstico do transtorno hipocondríaco. É com estruturamento emocional e o autoconhecimento que se sanam esse sofrimento e essa angústia de perder a saúde por doenças graves e crônicas.

Com experiência clínica, digo que são perfis muito doadores e com excesso de compaixão pelos demais. Passam boa parte da vida apagados, por darem brilho aos demais (normalmente filhos, marido e aos pais). Em determinada fase da vida, percebem que se doaram tanto aos cuidados para com o outro e sentem que podem estar sozinhos – ou mesmo uma insegurança de que ninguém retribuirá seus cuidados; que, em nenhum momento da vida, as outras pessoas pararão para cuidar deles. Dessa forma, o medo gera sensações de adoecimento, como se fossem testes, para saber se os filhos, marido, esposa, vão cuidar desse paciente. É uma forma de ter segurança. A doença, normalmente, comove toda a família. Então, a mente interpreta que essa é a melhor forma de mantê-los por perto, em especial quando as pessoas que receberam dedicação total de uma vida do paciente estão totalmente independentes.

Compartilhe

Artigos relacionados