A ANSIEDADE – uma doença adoecedora: o uso desregrado das mídias sociais

SÉRIE:

A ANSIEDADE – uma doença adoecedora:

o uso desregrado das mídias sociais

Por Fernanda Abreu

Psicóloga CRP 04/36407

Hipnoterapeuta Ericksoniana

O uso desregrado do celular, em especial das mídias sociais, pode causar dependência, além de graves problemas psicológicos. Normalmente, pegamos o telefone após um bip e nos perdemos, por horas, em um mundo de fotos, textos, áudios e vídeos… Sabemos que ali estão recortes das vidas das pessoas, cenas editadas, escolhidas, textos que não costumam contemplar problemas, dificuldades… só perfeição. Sabemos! Mas, insistimos em absorver tantas ilusões, de forma proporcional ao quanto procrastinamos para assumir o protagonismo da nossa verdadeira vida. Esse comportamento está cada vez mais naturalizado e os seus impactos já começam a ser percebidos.

A nossa mente trabalha com uma lógica de gratificação. Sentir-se recompensado é a força que nos impulsiona a fazer aquela atividade pouco atrativa, mas que, quando terminada, gera a maravilhosa sensação de dever cumprido. E é também a busca por recompensa que costuma nos impedir de resistir a um doce, a mais uma taça de vinho ou a um número robusto de “likes”. A esse processamento do que nos causa prazer e satisfação dá-se o nome de Sistema de recompensa (que esbanja a viciante dopamina em suas engrenagens). As mídias sociais são um estímulo frenético desse esquema de se fazer algum investimento (postar uma foto) e colher um resultado imediato, na maioria das vezes positivo (elogios). Esse ciclo é tão prazeroso quanto volátil, quando estamos falando de uma saúde mental em desequilíbrio. Por consequência, vamos ficando felizes por prazos cada vez menores e nos pressionamos para conseguir atingir picos de satisfação novamente e novamente, agora mesmo, o quanto antes. Percebe quanta ansiedade e angústia estão envolvidas nisso? Além do mais, é importante que se pondere sempre que, nem tudo o que nos garante alegria, sobretudo aquela que vem e vai embora rapidamente, nos convém, certo? É preciso que treinemos o nosso cérebro para fazer escolhas mais sustentáveis a longo prazo.

Já comentei sobre sabermos que as mídias sociais são um espaço de miragens, um campo fértil para a artificialidade, mas, o que fazemos? Primeiro, valorizamos mais o digital que o real. Vamos, aos poucos, perdendo o nosso interesse nas relações que estão próximas, vamos nos isolando. Na sequência, comparamos a nossa vida com as obras de ficção que vão passando pelos nossos “feeds”. Não satisfeitos, traçamos estratégias desesperadas para conseguir aprovação social em cada publicação que fazemos. Quanta solidão e tristeza nos impomos…

Ainda há a necessidade de avaliarmos o excesso do uso de aparelhos como o celular e os prejuízos físicos possíveis. Por exemplo, a luz atenta contra a saúde dos olhos, contra o sono, nos deixando sempre cansados e desinteressados no que está à nossa volta; a maneira como nos encurvamos para estar com o telefone mais perto do rosto causa danos à coluna.

Como agir para evitar a evolução de uma quadro de ansiedade crônica causada pelas mídias sociais?

Reconhecer o problema e criar novos hábitos. Muitas pessoas costumam estabelecer horários certos para usar o telefone, mas, como a internet tornou-se um instrumento imprescindível para o meu trabalho e sei que assim também é para muitas outras pessoas, eu fiz um pouco diferente. Decretei quando não usar: à noite, mesmo que eu perca o sono, desligo o celular e não acesso nenhuma das minhas redes sociais. Faço um intervalo de desintoxicação entre determinada hora da noite até determinada hora pela manhã. Você não pode imaginar quantos benefícios eu já tenho colhido dessa ação tão simples: o sono melhora; as vistas ficam revigoradas para um novo dia de trabalho; sinto-me mais concentrada. Também percebo que o tempo em casa, com meu marido e família, tem mais qualidade, mais entrega. Experimente! Se constatar melhora da sua ansiedade, invista em atitudes que sejam possíveis e que busquem o seu bem-estar. Mas, se a dependência estiver mais agravada e se desligar o celular causar angústia, irritação, procure auxílio de um profissional que possa conduzir um tratamento responsável.

A nossa vida real pode não estar tão bonita quanto a dos filtros, mas é ela que nos permite experiências que nos farão crescer moral e emocionalmente. Quando nos preocupamos em nos conhecer e encontramos graça em quem somos até o que postamos e o que consumimos nas redes sociais passa a respeitar mais a nossa essência. Pense nisso.

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