A ANSIEDADE – Uma Doença Adoecedora: Coronofobia


SÉRIE:

A ANSIEDADE – uma doença adoecedora:

Coronofobia

Por Fernanda Abreu

Psicóloga CRP 04/36407

Hipnoterapeuta Ericksoniana

Eu sei, estamos vivendo tempos muito difíceis em que a morte se tornou uma ameaça ainda mais real, mais do que já foi em qualquer outro período das nossas vidas. Em breve, quando pudermos desempenhar as nossas atividades com alguma normalidade (aquela que conhecíamos antes da Pandemia), encontraremos, inegavelmente, um mundo transformado pela dor, pela ausência de muitos e pelo medo. Esses fatos são por si só angustiantes e capazes de devastar a nossa saúde mental, mesmo quando entendemos que somos blindados de alguma forma.

Os adoecimentos da mente não são uma exclusividade de determinadas pessoas, de grupos específicos, não estão distantes de nós. Todos temos os nossos pontos fracos, as nossas fragilidades e os temas ou pressões que podem nos colocar em lugares muito desconfortáveis e nos deixar inábeis para tomar decisões, para buscar o reequilíbrio. Diante desses quadros, procurar ajuda é sempre uma alternativa muito estratégica que tem como bom resultado o fortalecimento da nossa saúde mental, antes que percamos as rédeas de forma difícil de reversão.

A Pandemia tem sido um gatilho psicológico fóbico, capaz de ativar sentimentos e sensações que não conhecíamos. Embora esse período tenha o peso e as consequências de um evento traumático para muitos, é possível reagir, vencer o medo exagerado e a recém-catalogada Coronofobia. Essa nova fobia está relacionada a uma ansiedade limitante e a um medo que extrapola as suas funções protetivas, paralisando, inclusive, a condição do paciente desempenhar atividades essenciais.

O medo é saudável e está diretamente relacionado ao nosso instinto de sobrevivência, mas, se ele se torna o nosso único filtro, passamos a enfrentar sofrimentos graves, frutos de uma ansiedade crônica.

Principalmente quando assiste ou lê notícias sobre o Coronavírus e a Covid-19, pense no assunto. Veja alguns sintomas da Coronofobia e, caso se identifique ou conheça alguém que os apresente, procure ajuda o quanto antes:

  • Aceleração dos batimentos cardíacos;
  • Aperto no peito, angústia;
  • Comportamentos obsessivo-compulsivos;
  • Conferência exacerbada dos sinais vitais, bem como sensação de estar desenvolvendo os sintomas da doença;
  • Dificuldade para respirar;
  • Automedicar-se tanto para se proteger contra o vírus, quanto para controlar o emocional;
  • Fixação por atitudes que possam aumentar a imunidade e sensação de que não estão funcionando e a certeza de que o seu organismo não conseguirá lidar com a doença, em caso de contaminação;
  • Lava-se as mãos com uma frequência muito alta, a ponto de machucá-las;
  • Medo excessivo da morte e de se contaminar;
  • Medo excessivo de contaminar outras pessoas;
  • Mesmo diante de uma necessidade não consegue sair de casa e, quando sai, sente mal-estar, queda de pressão;
  • Mesmo sem indício de contaminação, evita a convivência com as pessoas da mesma casa e até dormir com o marido/esposa;
  • Preocupação incontrolável com os prejuízos econômicos causados pelas medidas de restrição para contenção do vírus;
  • Tristeza profunda e desânimo, desesperança com a vida;
  • Uso da máscara a todo tempo, mesmo dentro de casa e sozinho.

Para dar suporte à saúde mental, tente:

  • Alimentar-se bem;
  • Realizar atividades que causem bem-estar, momentos de felicidade;
  • Buscar, sem pecar pelo excesso, informações confiáveis;
  • Fazer exercícios físicos;
  • Não alimentar pensamentos ruins;

Lidar com as nossas vulnerabilidades não é fácil, mas investir na nossa saúde mental é importante para que consigamos nos manter de prontidão para enfrentar os problemas e vencê-los. Entenda o que pode ajudá-lo, encorajá-lo, conte com as suas redes de apoio e, se julgar necessário, procure ajuda profissional.

Compartilhe

Artigos relacionados