As pessoas são dádivas de Deus para mim. Já vêm embrulhadas; algumas, lindamente, e outras, de modo menos atraente. Algumas foram danificadas no correio; outras chegam por entrega “especial”. Algumas estão desamarradas; outras, hermeticamente fechadas.
Mas o invólucro não é uma dádiva – e esta é uma importante descoberta. É tão comum e fácil cometer um erro a este respeito: julgar o conteúdo pela aparência.
Às vezes, a dádiva é aberta com facilidade; noutras vezes, é necessária a ajuda dos outros. Talvez porque tenham medo. Talvez já tenham sido magoadas antes e não queiram ser magoadas de novo. Pode ser que já tenham sido abertas e depois jogadas fora. Pode ser que, agora, sintam-se mais como “coisas” do que como “pessoas humanas”.
Sou uma pessoa: como todas as outras, também sou uma dádiva. Deus enche-me de uma bondade que é só minha. E, contudo, às vezes, tenho medo de olhar dentro do meu invólucro. Talvez eu tenha medo de me desapontar. Talvez eu não confie em meu próprio conteúdo… ou pode ser que eu nunca tenha realmente aceitado a dádiva que sou.
Todo encontro e partilha de pessoas é uma troca de dádivas. Minha dádiva sou eu; a sua, é você. Somos dádivas um para o outro.
(Texto parcial do livro Arrancar Máscaras! Abandonar Papéis!
John Powell, S. J.
Loretta Brady, M. S. W.
“Às vezes, imaginamos que uma dádiva real deveria ter perfume de rosas e um bordado de ouro nas pontas. A verdade é que toda história humana, se partilhada com outra pessoa como um ato de amor, alarga a mente e aquece o coração dessa pessoa.”



